6.5.07

Hermanos Divididos

A Questão de Olivença não tem resposta fácil. E o pior, para Portugal, é que a questão é cada vez menos colocada... A região fronteiriça foi ocupada pelas forças Espanholas do General Godoy a 20 de Maio de 1801, com o auxilio das tropas de Napoleão, na que foi pomposamente designada como "Guerra das Laranjas", uma "guerra-relâmpago" que têm ainda hoje repercussão na disputa da soberania sobre a bela cidade, cheia de património histórico Português. Espanhola, efectivamente, há mais de 200 anos, Olivença e o seu território não se terá já tornado parte integrante do país vizinho, pelo que se pode chamar de "usucapião tácito", quer se queira, quer não? Infelizmente, parece-me que demasiado tempo passou já, para que o assunto volte a ser resgatado às páginas esquecidas da História. A meu ver, a antiga praça Portuguesa só terá hipotese de voltar a ser Portuguesa, se a Espanha insistir na questão similar de nome Gibraltar. Naturalmente, Portugal deverá fazer mais do que tem feito até aqui, e insistir por todos os meios na devolução do território, como aliás manda o direito internacional. A outra alternativa, seria o que resta da população Olivençana de origem Portuguesa, formar um movimento de "libertação" ou de auto-determinação... mas ainda que a região não tivesse sido propositadamente "colonizada" por Espanhóis para apagar as raízes lusitanas, quantos Portugueses trocariam condições de vida superiores, pela deprimida soberania Portuguesa, nos tempos que correm? Afinal, quantos não são "obrigados" a nascer em Badajoz, em paris, em Londres, etc....

6.4.07

Terra AUSTRALIS

A questão não é nova, mas espera-se que depois de mais este contributo, a discussão fique arrumada de vez. O continente Austral não podia ser desconhecida dos navegadores Portugueses, estando estes a curta distância, em Timor; há provas mais do que evidentes para suportar a precedência Portuguesa na descoberta da Austrália. Apenas, para o chauvinismo estrangeiro, é difícil aceitar que um pequeno e pobre país reclame essa honra. Neste feito, o nome a alinhar ao lado de outros verdadeiros grandes Portugueses, é Cristovão (mais um) de Mendonça.

20.3.07

“LUGARES HISTÓRICOS” EM PALMELA

O Auditório da Biblioteca Municipal de Palmela, local onde se realizou a apresentação do novo livro do Prof. José Hermano Sariava, sábado dia 10 de Março, foi pequeno para albergar cerca de centena e meia de populares que não quiseram faltar à palestra e à posterior sessão de autógrafos que o conhecido Historiador dinamizou, ao seu estilo.

O livro “Lugares Históricos de Portugal” foi encomendado pelas Selecções do Reader's Digest, que lançou um livro semelhante nos EUA, com grande sucesso. A diferença, salientou o Professor, é que há muitos mais espaços históricos em Portugal do que nos EUA “porque o que faz os lugares históricos “Não é o espaço, é o tempo!”

Esta edição é mais do que um livro de História. Dar a conhecer o património histórico, na perpectiva de promover o turismo, é a ideia subjacente por detrás da da obra.

“Nos somos um ponto único da Europa! O livro procura chamar a atenção para muita coisa que eu próprio não conhecia” - sublinhou.

Há muitas zonas do interior que se estão a sentir esquecidas e abandonadas; é por isso que o Professor, à beira dos 90 anos, faz as frequentes viagens que o levam onde pouca gente vai, para chamar a atenção para essas regiões cheias de coisas interessantes, para mostrar os motivos que as pessoas têm para lá ir. “Este livro, de certo modo, condensa o assunto dos programas. Eu não falo de nenhum sítio onde não tenha estado. Nada daquilo é escrito em segunda mão; é um resumo da minha experiência pessoal de passar por lá.”

Os Editores designaram cerca de 400 páginas para esta obra, mas, segundo o Professor, esse espaço não é suficiente para incluir todos os lugares históricos de um país com praticamente 900 anos. O Prof. Saraiva teve assim que limitar o número de terras que entraram nesta compilação, onde “as várias Lisboas” que compõem Lisboa (Medieval, Barroca, etc.), ocupam um espaço considerável e proporcional à sua importância como capital do país, desde há vários séculos. Como não podia deixar de ser, Palmela, a terra onde está radicado, também mereceu destaque - “Palmela é um dos mais extraordinários miradouros, na Europa!” Na sua opinião, é mesmo muito surpreendente que Palmela não tenha tido um lugar mais de destaque no concurso das “7 Maravilhas de Portugal”. O Historiador, ao seu jeito, disse que acha que não há “maravilhas” em Portugal, visto que fomos sempre um país pobre. Mas se tivesse que escolher um monumento nacional, “uma das jóias, menos comuns no mundo, e mais simbólicas, escolhia a Torre de Belém. É um monumento artístico, feito pelo rei D. Manuel I, para dizer “cá estamos nós, cá está Portugal!”. Mas conclui que a escolha não é fácil, quando existem tantos concorrentes, cada um com os seus valores. O mesmo se aplica em relação ao outro concurso do momento, “Os Grandes Portugueses”, cuja final será já no próximo fim-de-semana. “Não se pode comparar a Rosa Mota com o Egas Moniz! Gosto muito da Rosa Mota e gosto muito do Egas Moniz; mas entre os dois, como escolher? ”

O Prof. José Hermano Saraiva não hesita em afirmar que há interesse público pela História, e destaca o papel da RTP, que no seu percurso de meio século, tem prestado um serviço importante ao país. Já em relação à sua notada ausência na Gala dos 50 anos da Estação Pública, o Historiador referiu, modestamente, que a sua presença não era essencial.

8.3.07

“ALCIPE LUSITANA”

Nome de rainha, nome de mulher do povo, Leonor, segundo alguns, é nome de origem Árabe, para outros deriva do Grego, mas em ambas as línguas o significado aponta para “luz ou iluminação”.Távora, em contraste, é nome que significou tortura e sofrimento, no Século XVIII. Nascida em Lisboa em 1750, Leonor de Almeida Lorena e Lencastre, mais conhecido pelo seu título de Marquesa de Alorna, era filha primogénita do Marquês de Alorna e Conde de Assumar, D. João de Almeida Portugal, e de sua mulher, D. Leonor de Lorena e Távora. Essa herança de nome e de sangue aos Marqueses de Távora, executados a mando do marquês de Pombal, devido ao seu alegado envolvimento numa emboscada ao rei D. José I, foi funesta para a jovem Leonor, que aos 8 anos de idade foi enclausurada no Convento de Chelas, em companhia de sua mãe e sua irmã, já o seu pai foi atirado para os calabouços.

Os quase 20 anos que passou como reclusa não impediram que Dona Leonor recebesse uma cuidada formação linguística, literária e científica, coisa rara para as mulheres da época, mesmo as “bem-nascidas”. Leu obras dos maiores escritores iluministas, como Racine, Rousseau, Voltaire e Diderot, que cedo lhe despertaram o gosto pela literatura e pela poesia. Contudo, as leituras que mais a marcaram devem ter sido as cartas que o seu pai lhe enviava, escritas com o próprio sangue, à falta de outra tinta, no cárcere. Teve ainda como mestre o padre Francisco Manuel do Nascimento, mais conhecido pelo seu pseudónimo nos ciclos poéticos da Arcádia Lusitana, de Filinto Elísio. Também ela tomou, como era uso no tempo, o nome literário de Alcipe. As suas poesias libertaram-se das grades e alcançaram grande fama vindo mais tarde a ser publicadas sob o título de Poesias de Chelas.

Dona Leonor e a sua família, saíram finalmente da prisão em 1777, depois do afastamento do Marquês do Pombal, por ordem de D. Maria I que havia sucedido a D. José. Tinha então vinte anos. Pouco depois, casou com o conde de Oeynhausen, que viera a Portugal com seu primo, o alemão conde de Lippe, contratado em 1762 pelo marquês de Pombal para organizar e comandar o nosso exército. O casamento realizou-se em 1779, apadrinhado pela rainha D. Maria I e pelo rei seu marido, D. Pedro III. Partem em viagem pela Europa, passando pelas cortes de Espanha de França e de Áustria, sendo a marquesa e poetisa recebida e homenageada pelos respectivos monarcas, imperadores e até pelo papa Pio VI. Fica viúva aos 43 anos, em 1793, ficando com seis filhos pequenos a seu cargo. Foi viver primeiro para Almeirim, onde patrocinou o ensino de raparigas daquela vila e imediações; mudou-se depois para outra propriedade que também possuía em Almada. Apesar das dificuldades financeiras, recebe em sua casa célebres figuras da vida literária, como Bocage (Elmano Sadino) e mais tarde, Alexandre Herculano, entre outros frequentadores do seu salão cultural onde se debatem as novas ideias políticas e também as novas correntes estéticas e literárias. As suas ideias liberais, no entanto, não agradavam ao Intendente Pina Manique; porém, pior foram as invasões Napoleónicas do princípio do século XIX, que a obrigaram a exilar-se em Londres, entre 1804 e 1814. Continua a escrever poemas, mas tem o desgosto de ver a filha ser amante do invasor Junot. De regresso a Portugal, mais uma vez um membro da família havia caído em desgraça, pelo que ao fim de dez anos de muita luta, obteve a reabilitação da memória de seu irmão D. Pedro, que por ter integrado a Legião Lusitana que acompanhou Napoleão à Rússia (morrendo no regresso), fora condenado como traidor à pátria. Foi somente nessa época que passou a usar do título de 4.ª marquesa de Alorna, e 6.ª condessa de Assumar, como herdeira de seu irmão. Faleceu aos 89 anos de idade, deixando seis volumes de "Obras Poéticas" e sendo uma mulher Ímpar na sua época, uma das mais notáveis vozes do pré-romantismo em Portugal. Alexandre Herculano chamou-lhe a "madame de Staël portuguesa."

11.2.07

1 Conto de Rei$

Em antecipação ao Dia de S. Valentim, vulgo “Dia dos Namorados”, que veio substituir a festa romana pagã da fertilidade - ou Lupercalia - que se realizava em meados de Fevereiro, recorda-se aqui um casal real e Real, que foi talvez dos poucos a encontrar o amor e a vive-lo dentro do casamento político arranjado.

D. Pedro V, mais conhecido talvez por ter circulado de mão em mão de 1979 a 1991, nas notas de 1 conto, ou seja, 1000$00 escudos, viveu na realidade um conto de amor com a sua Princesa – a esposa e rainha Dona Estefânia – a quem se deve o Hospital do mesmo nome, em Lisboa.

Juntos desenvolveram inúmeras iniciativas de solidariedade e de apoio ao progresso do país (contemporâneo do “Fontismo”), que apesar do seu curto reinado (6 anos), foram mais duradouras que os seus curtos percursos de vida, abreviados pelas mesmas deficientes condições sanitárias que tentaram combater.

Este rei português viveu e morreu definitivamente sob o signo do amor, sendo um dos seus cognomes “O Bem-Amado”, o que traduz a boa memória, que de D. Pedro e de D. Estefânia, ficou na população e na história de Portugal.

1.2.07

Real Tragédia

Por detrás do Príncipe Real, estava um jovem resoluto, corajoso, que teve uma boa educação e morreu a tentar defender a família; faleceu muito cedo, antes dos 21 anos, antes de poder deixar grande obra ou descendência - porém, teve e tem o seu lugar no trono da história. D. Luis Filipe, o seu pai, a sua mãe e o seu irmão, tiveram a infelicidade de viverem numa época insensata, de radicalismo, de vistas curtas, que os acabou por mergulhar - e ao país - no desperdício. O Jovem príncipe herdeiro, contudo, enquanto viveu, deu provas de ser um digno representante da Casa Real e de Portugal. Por detrás do penúltimo Rei de Portugal, estava um homem bom, um cientista e um homem das artes, como os seu antecessores de Bragança Saxe-Coburgo-Gotha. Tanto Dom Carlos I como D. Manuel II, foram reis incompreendidos e injustiçados. Quem for ao Palácio da Pena, ou ao Paço Ducal de Vila Viçosa, não poderá deixar de se impressionar com o testemunho tão vívido ainda presente, da vida familiar intima daquela família malograda...

31.1.07

Tragédia Real

Dia 1 de Fevereiro de 2007 completam-se 99 anos, desde que S.A.R. D. Carlos I e o Príncipe Herdeiro D. Luís Filipe foram assassinados, em público, na Praça do Comércio, perante os olhos da Rainha, esposa e mãe, que também viu o outro seu filho ser alvejado. Porém, o príncipe D. Manuel e a Monarquia sobreviveram ao ferimento; e “Rei Morto-Rei Posto” – o príncipe que não nasceu nem pediu para ser rei, veio a sê-lo, por mais dois anos, como D. Manuel II.

Quase 100 depois, ainda não foi completamente assumido esse crime hediondo, que parece ter sido o molde de mais dois, também famosos – o assassínio do Arquiduque da Áustria-Hungria, poucos anos depois, em 1914 (evento que despoletou a 1ª Guerra Mundial); e o também ainda misterioso homicídio de John F. Kennedy.

Todos estes actos terroristas, radicalizados, têm em comum vários elementos, como sejam a mais alta figura do Estado ter perdido a vida de modo violento, enquanto se deslocavam num veiculo aberto, na companhia das esposas, em público e em tempo de paz.

Estes actos bárbaros tiveram consequências bastante negativas, logicamente e primeiramente para as vítimas, para as famílias, e posteriormente para os próprios países (ou ainda para além deles).

A situação do país, tanto em 1908 como em 2007, pode encontrar um certo paralelismo no seguinte extracto do poema Pátria, de Guerra Junqueiro - um autor que é conhecido também por não morrer de amores pela Monarquia:

«- Os políticos: «Dois partidos "monárquicos", sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, na hora do desastre, de sacrificar à monarquia ou meia libra ou uma gota de sangue.

- A burguesia: «Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal.»

- O povo: «Humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai, um povo que eu adoro, porque sofre e é bom.»

- A economia: «Perda de gente e perda de capital, autofagia colectiva, organismo vivendo e morrendo do parasitismo de si próprio.»

15.1.07

O Homem que Empenhou as Barbas

Esse GRANDE homem, chamado D. João de Castro (1500 —1548) , antes de empenhar as próprias barbas para pagar a reconstrução das muralhas de Diu, tentou empenhar os ossos do filho, que em defesa desse território Indiano tinha perecido. Apenas, os restos mortais de D. Fernando de Castro, não estavam em aptos a serem exumados. Dirigiu então uma carta aos habitantes de Goa, onde entregava as barbas em penhor de um empréstimo para pagar as obras da fortaleza de Diu. Não pediu nada para ele próprio, nem nada aceitou para si. Recebeu da população de Goa uma soma maior do que tinha pedido, e a devolução do seu penhor.

Não foi apenas mais um militar, foi um homem de ciência e um filósofo, contemporâneo de personagens como o matemático Pedro Nunes (1502 - 1578), ou o Apóstolo das Índias, S. Francisco Xavier (1506 – 1552). Um Gigante Português, com certeza. Vale a pena conhecer mais.

14.1.07

Grande Portugal

Se há um mérito inquestionável na sondagem RTP "Grandes Portugueses", ele é ter relembrado que este pequeno país teve gente de muita qualidade, em quantidade quase inesgotável; gente cuja dimensão individual ultrapassou a das estreitas fronteiras de Portugal. Gente que marcou o seu tempo, e o que havia de vir, não havendo muitos países - para mais pequenos - a poderem-se gabar de ter influído tanto no mundo. Gente essa, que espera, no mínimo, que os que os sucedem no presente, não desmereçam do seu exemplo, da sua obra e do seu esforço pelo país...

17.12.06

Natalidade do Natal

É pacífico dizer que as origens da celebração do Natal são anteriores ao nascimento de Cristo. Um pouco por todo o mundo antigo, praticavam-se rituais pagãos ligados ao Solstício de Inverno, que mais tarde se fundiram com com a doutrina cristã da Natividade (= Natal).

Não será tão pacifica a aceitação da data 25 de Dezembro, como aquela em que Cristo teria nascido - mas é aceite que se convencionou ser essa a data, desde tempos remotos, ligada mais uma vez ao Solstício de Inverno. O nascimento de um Deus no mesmo dia em que se celebrava o Natalis Sol Invictus (qualquer coisa como "o dia do nascimento do Sol imperecivel") não era de desprezar; apenas resta dizer, que dada a diferença entre o Calendário Gregoriano e o Calendário Juliano, a data assinala-se a 7 de Janeiro nos países de tradição Ortodoxa.

Saturnália

A herança Romana deixou-nos outras semelhanças entre a festa Cristã e as folganças pagãs da Saturnália, um período de festejos, pequenas prendas e comes e bebes, que invariavelmente e à boa maneira Romana, acabava em excessos – ou não fosse este uma ocasião de excepção à regra e que coincidia com esta quadra, tendo início a 17 de Dezembro.

O Madeiro ou Tronco de Natal

De origem Nórdica, também relacionado com as celebrações de Inverno, o uso do Madeiro a arder durante a quadra natalícia ainda persiste em alguns pontos de Portugal.

Já as Fogueiras de Ano Novo parecem ter dado lugar aos Fogos de Artificio, que se tornaram verdadeiras atracções turísticas, no país e no estrangeiro.

Outras transições, de origem pagã, têm ocorrido nos tempos modernos, por influência Britânica e Americana.

Esta “secularização” das celebrações natalícias, conduziu à aceitação praticamente universal da festa, encarnada na figura do Pai Natal, nas arvores decoradas, e nas iluminações.

Festas Felizes!

1.12.06

Portugal Restaurado

O 1º de Dezembro do ano de 1640, foi também o primeiro dia de uma longa campanha política e militar, que durou 28 anos (1640-1668), travada não só em Portugal, mas um pouco por todo o extenso Império Português, da Ásia ao Brasil. Este dia, à 366 anos, foi também o culminar de 6 décadas de domínio espanhol - uma das fases mais sombrias da hístoria nacional - que no entanto não foi suficiente para quebrar o espirito lusitano... Portugal foi restaurado como Reino independente, por um grupo de nobres que ficou conhecido como "Os Conjurados". Estes homens, reunidos a uma seia, que remete para outra mais célebre, estavam dispostos a fazer dela a sua última, naquele último dia de Novembro - caso a revolta falhasse, nesse primeiro de Dezembro. Mas não falhou.

4.11.06

Unfortunate Series of Events, one November in 1755

Na voragem do terramoto de 1755 desapareceram cinquenta e cinco palácios, mais de cinquenta conventos, a Biblioteca Real, com 70 mil volumes e centenas de obras de arte, existente dentro do Palácio Real, que se situava na margem do Tejo, onde hoje existe o Terreiro do Paço.
Várias construções que sofreram poucos danos pelo terramoto foram destruídas pelo fogo que se seguiu ao abalo sísmico e ao tsunami.
O precioso Arquivo Real com documentos relativos à exploração oceânica incluindo registos históricos das viagens de Vasco da Gama e Cristóvão Colón foram perdidos, assim como outros documentos antigos também foram perdidos. O terramoto destruiu ainda as maiores igrejas de Lisboa, especialmente a Catedral de Santa Maria, e as Basílicas de São Paulo, Santa Catarina, São Vicente de Fora, e a da Misericórdia. As ruínas do Convento do Carmo ainda hoje podem ser visitadas no centro da cidade. O túmulo de Nuno Álvares Pereira, nesse convento, perdeu-se também. O hospital Real de Todos os Santos foi consumido pelos fogos e centenas de pacientes morreram queimados. Incontáveis construções foram arrasadas, especialmente em Lisboa e no Algarve (incluindo muitos exemplares da arquitectura do período Manuelino em Portugal).